sábado, 20 de agosto de 2016

Bruxaria Medieval Do Paganismo à Heresia





A propagação de conhecimentos ocultos levou ao fortalecimento da figura das bruxas, algo que era, ao mesmo tempo, respeitado e temido como uma herança de tempos antigos. Mesmo assim sua associação com o profano e o proibido levou a Igreja Católica a tomar medidas para combater mais esse "mal na terra"

Por James Andrade
Los Caprichos, grupo de 80 ilustrações do pintor e
Duas bruxas voam juntas numa mesma vassoura (que muitos consideram uma paródia aos Cavaleiros Templários) durante um de seus sabbaths
Nietzsche (1844-1900), em seu O Livro do Filósofo, refere-se ao período da seguinte maneira: "A história e as ciências humanas foram necessárias contra a Idade Média: o saber contra a crença..." .
O estudo do período medieval se inicia, deste modo, imerso em errôneas pressuposições. Um engano grosseiro que, aos poucos, se desfaz. Eventos importantes ocorreram. Um deles foi a solidificação do cristianismo, que criou Instituições e Dogmas, permitindo que nos refiramos a esta institucionalização como Igreja. Olhar para a Idade Média como algo de importância própria é o mínimo para se desfazer este mal-entendido; mas falemos de bruxaria. E de bruxas.
Como os registros históricos, principalmente aqueles vinculados à Inquisição e ao Santo Ofício, nos dão conta de que em cada quatro casos envolvendo bruxaria três eram com mulheres - outras fontes indicam números ainda mais insignificantes de homens - focaremos aqui o aspecto feminino do mito. As novas cores com que foram pintadas neste período, de certa maneira, tangencia como o papel da mulher também se modificou. Começaremos por uma visão panorâmica do assunto.
Origem do Termo O termo "bruxa" se perde no tempo, remontando facilmente a épocas pré-romanas. Em inglês, a palavra witch pode significar tanto bruxa, quanto feiticeira; provavelmente tem sua origem nos termos anglo-saxões "wissen", (conhecimento) e "wikken" (adivinhação). Vinculando, portanto, as bruxas a atividades adivinhatórias e àquelas relacionadas com o acúmulo de conhecimento, como o trato com as ervas e raízes.
Neste contexto, podemos traçar o perfil das bruxas, de forma geral, como personalidades femininas que estavam envolvidas em práticas "medicinais" (chás, beberagens e uma infinidade de outros artifícios para curar os enfermos) e vaticínios (profecias). Coisas que nas sociedades antigas, de certo modo também nas atuais, em nada se diferenciavam entre si, sendo ambas entendidas como Magia.
A Magia sempre foi entendida como uma interferência na ordem natural das coisas, uma ingerência, obtida por meio de palavras, gestos, objetos, oferendas, estando sempre relacionada com o sobrenatural. São das concepções mágicas do mundo que brotam as religiões. Aqueles que com ela se envolviam, por aprendizado ou por dom inato, sempre gozaram de um certo status social. Uma lacuna quase sempre preenchida pelas mulheres que, desde sempre, são mais identificadas com o sobrenatural.
O exemplo que nos chega do que seriam estas personalidades femininas são as parteiras e as benzedeiras, ainda tão presentes na vida de muitos brasileiros que vivem longe dos grandes centros e que, recuando-se poucos anos (40 no máximo), podemos identificá-las mesmo dentro de nossas famílias (minhas duas avós, tanto materna quanto paterna, eram parteiras e benzedeiras).
Estas mulheres estavam portando plenamente integradas ao grupo social. Não que estas relações fossem sempre pacíficas, muito pelo contrário; em épocas em que a mortalidade infantil era assustadora, a figura da parteira tendia a oscilar entre salvadora e carrasca. Convém nos lembrarmos também que neste mesmo extrato social ainda se inseriam os desviados, os doidos, os desajustados e tantos outros, todos vistos, de uma maneira ou de outra, envolvidos com o sobrenatural, consequentemente, com a Magia, sendo ela mesma, já habitada por outros tantos mitos e crendices. Aqui temos outro elemento que, invadindo o plano real, irá marcar profundamente a figura das bruxas: os Mitos.
Na Roma antiga existiam as Strix (origem da palavra italiana strega = bruxa); eram mulheres que, em certas noites, transformavam-se em corujas e procuravam crianças para sugar-lhes o sangue. Monstros similares eram as "stringlas" gregas. As germânicas "streghe" podem estar neste mesmo caldeirão.
A Grécia, em especial, é particularmente rica em mitos de monstros femininos que facilmente se associam a bruxas. Em sua vasta mitologia encontramos Atena, deusa da Sabedoria, cuja ave preferida é a coruja e que leva ninfas para um revigorante voo noturno sob o luar. A vingativa Lâmia, que, tendo perdido seus filhos, vinga-se sugando o sangue de crianças. Medeia e seus muitos feitiços, capazes até de devolver a juventude ao já velho Esão, pai de Jasão. Circe, que transforma a tripulação de Odisseu (Ulisses) em porcos. As tessalianas, que podiam assumir a forma de qualquer animal. As Sibilas, e muitas outras.
Assim colocados, lado a lado, pessoas reais e entes míticos, pode parecer estranho, porém é necessário um esforço de nossa parte em tentar entender que, em um mundo complexo, porém pouco compreendido como o antigo, bem como o medieval, todos estes elementos inevitavelmente se promiscuiriam, gerando um amálgama onde todas as partes envolvidas seriam chamadas de feiticeiras, magas, catimbozeiras, parteiras, curandeiras, benzedeiras e muitos outros nomes que, à época, tinham significados similares: bruxas, deixando claro que a fronteira entre o imaginário e o real era muito mais tênue do que podemos supor.
Vemos assim, que em praticamente todas as sociedades pré-medievais a figura feminina, com maior ou menor intensidade devido à sua capacidade de gerar vida e sua condição de "sexo-frágil", sempre foi relegada à casa e aos filhos, associando-se ao bem-estar. Por outro lado, também eram capazes de terríveis vinganças e sórdidas maquinações.
Hécate, deusa grega da bruxaria, que vagava pelas noites, sendo vista somente pelos cães que ladravam à sua passagem, às vezes aparecia associada à deusa Diana (Ártemis), a Lua. Na Idade Média os dois mitos praticamente se fundiram.
A Bruxa Primordial
A bruxa primeva é, portanto, o resultado mágico da fusão da mulher sábia, aquela que auxiliava no parto e cuidava das enfermidades, dos vitimados pelo sobrenatural, os desajustes mentais e sociais e dos muitos monstros sugadores de sangue que povoavam o imaginário popular, estando inequivocamente ligada a elementos naturais, a um saber ligado à terra, aos seus ciclos e aos seus muitos deuses; em especial os da fertilidade, em suma, Pagã. Um ser que vivia na tênue fronteira entre o real e o imaginário. Uma figura complexa. E ambígua.
Essa ambiguidade, tão presente (a mesma erva que cura pode também matar) foi uma constante; e neste ponto não se restringe apenas à questão de gênero nem de época, sendo o médico de hoje tão vítima desta desconfiança quanto a bruxa de outrora. Esta desconfiança, disfarçada, mas nunca superada, contribuiu para a existência de um convívio no meio social, no mínimo, delicado.
Situação facilmente estendida para todas as mulheres que, com seus humores e sangramentos, sempre esteve envolta pelo manto do sobrenatural. A distinção social dada à bruxa e a seus saberes tipicamente femininos reflete, em certa medida, a distinção dada à própria mulher. Seria fácil, portanto, nestas sociedades, supor o papel da mulher laureado de um certo prestígio, ainda que mínimo. Afinal, acima de tudo estava a figura da mulher como mãe; ela, enquanto geradora de vida, assumia maior importância até do que o seu fruto, o filho.
IMAGEM: Galeria Corcoran, Washingtgton. D.C.
Tela do pintor norte-americano Douglas Volk (1856-1935) que mostra uma acusação de bruxaria, muitas vezes feita em tom dramático
Contexto
Na Idade Média isso mudou. Para pior. Neste ponto é necessário se fazer uma pequena introdução sobre os muitos povos, diferentes entre si, que habitam a Europa neste período.
A Idade Média se inicia; segundo alguns defendem, com a queda do Imperador Augústulo (algo como Augustinho) em 476 d.C - indo terminar com a queda de Constantinopla (1453 d.C.). A condenação ao exílio deste trêmulo rapazola, que recentemente perdera o pai, Orestes, marca a queda do Império Romano do Ocidente e o fim da Antiguidade. Data meramente ilustrativa, uma vez que a agonia do Império Romano foi um processo longo e seus ecos persistiram por muito tempo.
O fato é que o desmoronamento da bem azeitada máquina administrativa romana - da qual a Igreja é a herdeira direta - lançou todo o continente, sua maior parte pelo menos, em um confuso desmantelo. É no bojo deste efervescente caldeirão de raças e credos, em meio a estes povos em franco processo de aculturação, que aqui, para efeito de simplificação, iremos reduzir para duas correntes principais: Os "Romanos", aqueles que estavam integrados no moribundo Império, sendo ou não 100% romanos. E os "Germanos", todos os povos que, pressionados pelos hunos, por outros povos, pela escassez de terras cultiváveis ou ainda pela própria fragilidade do Império Romano, desceram das frias terras do norte, avançando pelas praticamente inexistentes fronteiras romanas.


Todos estes povos tinham suas bruxas, e viam a mulher sob óticas diferentes. Ainda mais interessante é dizer que as próprias mulheres se viam de forma diferente. Foi neste ambiente, em que todos influenciavam e eram influenciados, nos séculos em que se fomentou a formação das futuras nações que se consolidaram na Idade Moderna, é que assistimos o cristianismo (aquele nascido no Concílio de Niceia (325 d.C.), tornado de Estado no Édito da Tessalônica (380 d.C.) e reforçado nos outros muitos concílios que se seguiram) se tornar uma Instituição e ganhar corpo. Força. Poder.
É no confronto direto com esta "nova" religião que o mito da bruxa ganhará os contornos que hoje vemos e em paralelo, assistiremos o delinear de uma nova posição a ser ocupada pela mulher, pois, no seu processo de "formatação", a religião criada em nome do Cristo afasta, paulatinamente, as mulheres dos seus nichos de poder, assumindo, em definitivo, seu aspecto Patriarcal. Justo a religião que, em seus primórdios, galgou importantes degraus apoiada por mulheres (vide a mãe e a esposa de Constantino).
É na institucionalização do Cristianismo que a mulher perde sua projeção inicial, relegada a um papel subalterno na Igreja que nascia. Uma nova realidade era escrita, não sem conflitos, arbitrariedades, sangue e Fé Verdadeira. Uma realidade regida por um Deus Único. Nas famigeradas "Três Ordens" (séc. XI) os que oram ocupam o topo da tríade.
Um dos passos mais importantes dados pela Igreja no sentido de exercer controle sobre seus seguidores foi dado no Concílio de Latrão (também chamado Latrão IV), convocado pelo então papa Inocêncio III, em 1215. Onde, dentre muitas outras resoluções, estabeleceu-se a obrigatoriedade da Confissão. Todo Cristão, a partir dos sete anos, ficava obrigado a se confessar com um sacerdote pelo menos uma vez por ano, correndo o risco de excomunhão se não o fizesse. Neste concílio também é recomendado aos padres uma atenção especial às heresias, estimulando o interrogatório em casos de suspeitas e, caso ficasse comprovado o desvio, a punição (lembremos que à mesma época existia a perseguição aos Cátaros).
Nessa nova realidade que surgia era o Filho, não mais a Mãe, a figura de maior importância. Mesmo que haja, principalmente após as Cruzadas (séc. XI a XIII), uma certa redescoberta do feminino cristão, na figura de Maria, a relação de primazia estava irremediavelmente comprometida. E aquele saber das bruxas, desde há muito associado a deuses muitos, será marcado indelevelmente pela chegada do Deus Único.
Apoiado nestes pressupostos é inegável que a Idade Média irá assistir a um reescrever do papel da mulher na sociedade, coisa que já vinha sendo delineada, mas que naquele momento ganha novos e fortes contornos. A mulher do cristianismo não é a mesma das religiões pagãs. Não diria nem melhor nem pior, só diferente. No período medieval estas mulheres se chocarão. O imaginário popular da época irá opor, bem ao gosto da época, duas figuras diametralmente opostas: a bruxa e a santa.
Uma, no sentido espiritual, tocada pelo Divino e a outra, no sentido mais carnal, tocada pelo Profano. A sexualidade feminina será o principal campo de batalha destas novas concepções. Não creio ser necessário dizer qual o nome reservado para as mulheres das religiões pagãs.
O Sexo, tão comum e natural nas religiões primitivas, torna-se, no decorrer dos séculos, a ruína dos homens. A leitura dos livros que compunham a Bíblia (aqui me refiro aos canônicos), uma das muitas possíveis, em que se constata que o Cristo, em não sendo casado, morreu puro, cria uma ideia, gestada nos mosteiros e disseminada por todos os cantos, que a demôniosos primórdios, que opunha Bem e Mal em uma disputa incansável, vemos o surgimento de outras frentes de batalha. Contra os infiéis que, ignorantes do Cristo, mereciam esforços para a salvação; contra aqueles que professavam outros entendimentos do mesmo Cristo; contra aqueles que abandonavam as fileiras da Igreja, e agora contra o desejo e a volúpia, que minavam a vontade dos homens, abriam espaço para o pecado.
IMAGEM: ARQUIVO LEITURAS DA HISTÓRIA
Pintura na parede externa do Mosteiro de Rila, na Bulgária, retratando as bruxas e parte delas com os demôniosos
A Posição da Igreja
Para a Igreja, porém, a luta era uma só, e louvável: a defesa da Fé, o que significava a salvação da alma, algo que, visto no contexto medieval, valia todos os esforços. Para muitos, ainda hoje vale. Uma guerra de muitos frontes e de perdas consideráveis, calorosamente travada nos muitos séculos da Idade Média, uma contenda que tratava tanto a maledicência e o malefício, que, claro, existiam, quanto às protociências que despontavam como sendo puro Mal. Tudo em nome do Dogma que, em última análise, é tão somente uma Opinião. Todos perderam, mas principalmente as mulheres, que assistiram, não passivas, mas incapacitadas, um lento remodelar da sua relevância social.
Relacionar a mulher com o pecado não era novidade - Eva estava lá desde os primórdios para comprovar a verdade inegável do fato - porém, este é só um dos aspectos que irão. compor o arquétipo da Bruxa que nos chega nos dias de hoje. A da bela e sensual jovem, caminho da perdição. No outro extremo desta composição está a decrépita e medonha anciã, aquela que tem um narigão e uma ruga quase tão grande quanto ele.
A madrasta da Branca de Neve, da adaptação para o cinema de Walt Disney, é um exemplo magnífico por representar, no mesmo personagem os dois extremos; antes dos filmes da Disney as ilustrações dos contos dos irmãos Grimm se encarregaram de fornecer o arquétipo de como seria uma bruxa velha. O caldeirão e a vassoura são outros elementos associados a elas.
Notar que, em sua maioria, são elementos do cotidiano feminino, comuns na sua labuta de esteio familiar, que assumem novas conotações. O objeto onde se cozinha é o mesmo onde se fundem poções maléficas; a ferramenta de limpeza se torna o meio de transporte mágico; assim por diante. Nestes elementos, porém, uma outra leitura é possível, mais sombria, mas necessária; é no seio do cotidiano, na rotina do dia a dia, no envenenar da comida, no cozinhar do cachorro preferido e servir como sopa que a vingança feminina se manifesta.
Novamente notamos a dubiedade do mito, sempre calcado em um delicado equilíbrio que, na Idade Média, será definitivamente quebrado com o surgimento de uma nova figura, fundamental para se buscar uma visão aproximada do que foi a bruxaria medieval: O Diabo.
Demônios dos mais diferentes tipos povoaram o imaginário medieval, vindos das tradições cristãs: como Asmodeu, Baal ou Belzebu, Beemot, Lúcifer, entre outros; ou importados de outras crenças, como o Pã grego, os Sátiros romanos, o mesopotâmico Pazuzu.
Na Idade Média, o Diabo estava em todos os lugares e as mulheres, comprovadamente fracas na Fé, eram o seu quintal.
Ardiloso, capaz de mudar de forma, apresentava-se como Súcubbus (aquela que fica por baixo), para seduzir os homens e Incubbus (aquele que fica por cima), para quem as mulheres se entregavam. Notar a sutileza em dizer que as mulheres se "entregavam" e que os homens eram "seduzidos". As atividades do Diabo, porém, seriam vistas com um certo desdém até meados do século XIV, é comum o entendimento dele não como adversário, mas sim como um empecilho. Até meados do século XI, a bruxaria também será vista, pela Igreja, com olhos mais complacentes, algo pitoresco, integrado à concepção popularesca do Cristianismo.
CRÉDITO: TELA MAGIC CIRCLE, DO PINTOR INGLÊS JOHN
Tela de Waterhouse que retrata a preparação de uma bruxa para um de seus rituais. não falta nada, do caldeirão aos pássaros pretos
Os Cristãos
O Cristianismo foi totalmente hegemônico no longo período medieval. Porém, não foi linear em seu desenvolvimento, nem tão pouco homogêneo. O cristianismo praticado nos grandes centros, tidos como mais cultos, era, em muito, diferente daquele praticado nos locais mais afastados, tidos como mais tacanhos. Nestes locais ermos se mostrava como uma crença confusa, uma mistura de crendices, de antigas religiões e dos ensinamentos ouvidos dos pregadores das boas novas (Evangelhos). Tudo cerzido por uma compreensão toda própria do que significava cada um destes elementos. Porém, demarcava fortemente o seu espaço, e crescia a olhos vistos.
O pensamento cristão medieval tangenciou todo o continente Europeu, indo muito além dele. Logo, no mundo medieval, ser cristão era quase condição sine-qua-nonpara ser aceito socialmente; quem não fosse batizado era taxado de "Pagão" ou "Infiel", e vitimado pelo preconceito. Com a invasão muçulmana, esta situação se radicalizou ainda mais.
Na Idade Média, o Deus Único Trinitário (Pai, Filho e Espírito Santo) torna-se a fonte de tudo. A realidade está sujeita à sua vontade, uma vez que Ele a criou pode interferir nela à seu belprazer. Portanto, para se conseguir algo basta pedir à Sua representante na Terra: a Igreja.
Esta, por sua vez, era auxiliada na árdua tarefa de intermediária por um sem número de santos, santas e mártires, todos envolvidos em resolver as mazelas mundanas.
"... Para bolhas e biles, Cosme e Damião; Santa Clara para os olhos; Santo Apolônio para os dentes; São Jô para as doenças de pele..." (Scot, Discoverie: A Discourse of Divels, cap. xxvi).
A lista continua, mostrando a especificidade de cada santo em determinada área, isso sem levar em conta aspectos como a adoração de relíquias (objetos tocados pelos santos ou até mesmo partes do seu corpo ou vestuário), a crença pia na transubstanciação do pão e do vinho em carne e sangue na Eucaristia, nas muitas qualidades divinas da hóstia, da água benta, dos rosários, dos amuletos, dos escapulários.
O período medieval foi totalmente dominado pela Magia. Outras épocas também o foram, mas o que torna este período especial são as tentativas, muitas vezes violentas, de se criar uma Magia única, de natureza cristã.
De início, a Igreja medieval não perseguiu a crendice, mas se valeu dela para crescer. Tudo aquilo que não era Divino só podia vir do Diabo e como o próprio era também uma criatura de Deus, a hegemonia estava na eminência de ser criada, bastando para tanto associar cada elemento não pertencente à religião cristã com elementos que existissem dentro dela. Surgiram assim deuses antigos que foram transformados em demônios, outros ainda foram substituídos por santos que executaram as mesmas funções. Para garantir um bom parto não mais se clamava à romana Lucina, para este momento especial lá estavam Santa Margarida ou Santa Marpúgis; isso sem falar da própria Maria, mãe de Deus, que nos chega como Nossa Senhora do Bom Parto. No decorrer da Idade Média, um monopólio dos aspectos não naturais da vida se estabelece. A faceta mágica da Igreja Cristã é tão fortemente disseminada que até mesmo os feitiços e encantamentos perderam o seu aspecto de manipulação de objetos, digamos naturais, para se tornarem manipulações sacrílegas de elementos cristãos, tornando-se assim, herética. Como vemos nos dois exemplos a seguir:
A Bruxa "primitiva", que perdurará, grosso modo, até meados do séc. XII, em meio a um cristianismo atulhado de crendices de caráter pagão:
"... Então, com os cabelos soltos, deu três voltas em torno do corpo, enfiou lascas de madeira em seu sangue (...) no caldeirão pôs ervas mágicas, com sementes e flores de suco acre, pedras do Extremo Oriente, e areia do litoral (...) a cabeça e as asas de uma coruja, e as entranhas de um lobo..." (Medeia e Esão: Bulfinch´s mytology - 2006).
A Bruxa "herege", que ganha notoriedade cada vez maior a partir do séc. XII, frente a um cristianismo que se busca mais puro:
"... E a Fé, toda sua, obtida no Batismo Santificado, em sacrilégio, renegam (...) a Alma deles posta em perigo, ofensa à majestade Divina..." (Summis Desiderantes Affectibus: Bula Papal; Inocêncio VIII- 1484).
No processo que acabou por levar Joana D'Arc (1412-1431) a um "Auto de Fé", leia-se fogueira, já figurava a palavra bruxa, vinculada à heresia.
James Andrade é pesquisador de história antiga e medieval. É autor do livro Getsêmani, a Verdade Oculta (Giz Editorial, 2008)

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Teoria revelaria identidade do monstro de Stranger Things



Stranger Things se tornou um fenômeno mundial praticamente na mesma semana que estreou na Netflix. A história criada pelos irmãos Duffer conseguiu agradar público e crítica com apenas oito episódios, o que seria um dos grandes acertos por causa do roteiro redondo. Isto fez com que a série não ganhasse tantas teorias pelos fãs, algo muito comum para diversas produções da cultura pop. Entretanto, o brasileiro Abner Pereira postou no Medium uma das melhores teorias dos últimos anos. 

(Alerta de Spoiler) Para ele, o Monstro da primeira temporada seria a Eleven. Sim, uma das queridinhas do público. Mas como isso seria possível? Ele explica que a trama é na verdade sobre um futuro paralelo na cidade de Hawkins por causa das experiências que eram realizadas no Hawkins National Laboratory, local em que a garota seria mantida prisioneira e usada como cobaia. Vamos aos pontos que dão base a teoria dele: 

- A cidade de Hawkins seria uma referência clara ao cientista Stephen Hawking, um dos mais famosos nomes quando o assunto é física quântica, dobras no tempo e buracos negros; 

- Originalmente, Stranger Things se chamava Montauk. Isto seria uma referência direta a um projeto homônimo dos Estados Unidos que teria durado dos anos 60 até 1983, mesmo ano em que a série começa. O projeto recebeu várias histórias sobre experimentos envolvendo tentativas de telepatia e viagem no tempo. Na época, ele seria um local para o desenvolvimento de armas que os russos não teriam para a Guerra Fria, assim os americanos usariam pulsos eletromagnéticos capazes de levar os inimigos a um estado mental esquizofrênico; 

- A Guerra Fria faz conexão com o russo que aparece em uma das cenas com a Eleven. A mãe da personagem teria participado do Projeto MKUltra, que existiu de verdade sob o comando da CIA e que supostamente usava cobaias para experimentos capazes de fazer o torturado sentir-se fraco a ponto de confessar algo através de controle mental; 


- Os experimentos teriam feito com que Eleven nascesse com habilidades incomuns, algo que era explorado pelo vilanesco Dr Brenner. Sempre que a garota era colocada nos tanques com água ao redor, ela conseguia ter acesso ao Mundo Invertido, que na verdade seria um local no futuro do tempo-espaço onde a personagem conseguiria chegar. Por isso, ela via aquele russo naquela imensidão escura, local onde ela também encontra o monstro; 

- Quando Eleven toca o Monstro acontece a ruptura no Hawkins National Laboratory, o que seria uma reação do universo/natureza por causa do encontro dos mesmos indivíduos no espaço-tempo; assim criaria um portal entre presente e futuro; 

- Logo após vermos a cena do encontro entre os dois, Eleven diz que é o Monstro. Mesmo que ela esteja pensando em outro contexto, esta pode ser uma dica do roteiro; 

- A parede da ruptura ganha o aspecto de um elemento visgoso que começa a dominar o complexo. Conforme a teoria do Abner Pereira, este elemento, que é tão característico no Mundo Invertido, poderia ser algo a tomar conta da cidade no futuro. 

- Ele salienta que se você observa as artes conceituais do Mundo Invertido, criadas pelo artista Aaron Sims, não é uma realidade paralela que se vêm à cabeça instantaneamente, mas sim um mundo pós-apocalipse; 

- O passado afeta diretamente o futuro, o que faria sentido conforme Will se esconde numa cabana no Mundo Invertido e como o fogo marca o chão quando a criatura é incendiada na casa de Joyce. O futuro não é capaz de interferir com intensidade no presente, por isso só as luzes funcionam como elemento de ligação entre os dois tempos. Sendo assim, o Mundo Invertido é a Hawkins no futuro;


- Segundo os irmãos Duffer, há um documento de 30 páginas contando tudo sobre o Mundo Invertido e porque só existe um Monstro, que seria exatamente a Eleven; 

- Quando ela entra em confronto com o Monstro no final da temporada, os dois personagens se espelham, é exatamente o mesmo movimento; 

- Há motivos para acreditar que Eleven e Monstro são a mesma pessoa por dicas que são dadas no decorrer dos episódios. Por exemplo, Demogorgon não foi uma escolha qualquer. A criatura de D&D tem duas cabeças, sendo que cada uma delas possui uma personalidade diferente, sendo que cada uma tenta derrotar a outra, mas que precisam conviver entre elas como uma única persona; 

- No primeiro episódio, Will aposta uma corrida com Dustin tendo a edição 134 de X-Men como prêmio. Essa edição não foi escolhida sem motivo. Jean Grey é o centro da história, numa época em que a mutante estava sob o domínio da Força Fênix. A única forma que Jean encontra para impedir a si mesmo de causar mais destruição é se sacrificando, assim protegendo seus amigos. Jean Grey também possui poderes psíquicos, como telepatia e telecinese, habilidade que vemos Eleven usar em vários momentos da série; 

- As artes conceituais para o monstro sempre o deixam com o aspecto de humanoide, assim fortalecendo a ideia de que ele pode ter sido um humano antes de se transformar no que vimos no Mundo Invertido.

O Canal Tech acrescentou mais um aspecto à teoria de Abner Pereira. Eleven, ou Onze, não foi um nome escolhido por acaso. O numeral seria a junção de dois números iguais, sendo os dois lados da moeda: Eleven e O Monstro. Se esta teoria vai se tornar o que realmente está na mente dos irmãos Duffer para os próximos anos de Stranger Things só saberemos no futuro, mas ela até o momento faz bastante sentido.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Corujas


A Coruja é uma ave comum em todo mundo, comedora de ratos, tornou-se um símbolo de ocultismo e Halloween.


Com hábitos noturnos e crepusculares ela voa pelos céus silenciosamente e é sempre notada pelo seu pio sombrio, que muitas vezes assusta. 

Em algumas culturas, as pessoas acreditam que a Coruja Rasga Mortalha, é como um presságio de morte, quando canta em cima de alguma casa, está agourando para que alguma pessoa morra, já as demais Corujas, são consideradas para os filósofos o símbolo da sabedoria, ou seja, a Deusa do Saber. 

A coruja tem um hábito tanto quanto estranho de girar sua cabeça à 180 graus, tornando se assim mais estranha, seus olhos são muito grandes com uma visão muito apurada para avistar de longe suas presas. 

As Corujas também se tornaram comuns por serem mascotes de seres sobrenaturais, e uma delas se chama Edwiges, a famosa coruja do bruxo Harry Potter. 

No filme Contatos de 4º Grau, corujas também aparecem para pessoas que afirmam ter tido contato com os extraterrestres.
misteriosfantasticos.com


Bruxaria, Bruxaria Tradicional e Wicca - Uma breve revisão

UM PANORAMA SOBRE A BRUXARIA


Hoje em dia no mundo pagão existe uma verdadeira guerra de ignorância com muitas pessoas que sabem muito pouco e adoram falar desse pouco que sabem. Esse meu texto veio de conversas com diversas pessoas, de vertentes variadas, e vou tentar mostrar a realidade misturada com meu ponto de vista. 

A bruxaria é um oficio muito antigo, não sendo ligado a nenhum tipo de religião de forma geral. O oficio da bruxaria é herético e não conhece nenhuma autoridade religiosa além do seu clã (se possuir algum).


Procissão da flagelação - Goya
Nas palavras de Yule Travalon “A bruxaria não viveu dias gloriosos, até mesmo sob poder do Império Romano (pagão). Os sacerdotes dos colegiados pagãos detinham poder sobre as nobres artes, mas para além dessas fronteiras, o poder da mulher do campo poderia ser assustador. Augúrios, adivinhações e práticas de feitiçaria foram também perseguidas entre os pagãos, sendo que, até mesmo durante uma das primeiras perseguições aos cristãos, foram estes acusados de bruxaria. A bruxaria vivia no campo, na cozinha, nos segredos que estavam nas sombras e que povoava o imaginário popular como algo pernicioso. No Império Romano (cristão) não foi diferente, pagãos foram convertidos ao cristianismo e a bruxaria permaneceu clandestina - e sobreviveu de forma clandestina."

Quando em ocasião das últimas perseguições aos cristãos, não apenas seu culto ficou proscrito, como os bacanais (que aconteciam nos bosques pela noite em honra a Baco) e os cultos a Hécate (deusa das feiticeiras) foram também jogados na clandestinidade. Isso ocorreu em um Império Romano que era pagão, o mesmo Império que institucionalmente perseguiu os cristãos.”

Vemos isso refletido nos mitos de Hekate, Medeia e Circe: Três bruxas, mulheres incontroláveis, hereges, temidas pelos homens e que desafiavam a ordem masculina. 

Sendo a bruxaria um oficio e não uma religião, é perfeitamente compreensível que aquela mulher que é católica e fala de Jesus pratique também a sua forma de bruxaria. 

Entretanto, existem algumas religiões que em sua prática se misturam de tal forma com a bruxaria que se tornam indivisível, como no caso da Wicca. Portanto, Wicca cristã é algo que não existe por motivos óbvios. É como uma igreja evangélica e umbandista. 

A BRUXARIA TRADICIONAL


A Bruxaria Tradicional (BT), apesar de um nome só não é uma coisa única: concisa e imutável. Dependendo de grupo para grupo, a BT pode ser puramente oficio ou uma mistura inseparável dos dois. Segundo Zagreus, Sacerdote da Bruxaria Tradicional Ibérica “Em essência a Bruxaria tradicional é o oficio bruxo e feiticeiro, legado de um membro a outro, em linha sucessória de treinamento. Assim algumas possuem um forte viés religioso, em detrimento de outros que não possuem uma fé aliada a práxis, e que se mesclam a diversas fés. Na BTI (Bruxaria Tradicional Ibérica) o Oficio Bruxo e o comungar com os Deuses está estritamente entrelaçado, sendo indivisíveis um do outro. É impossível generalizar sobre a Bruxaria tradicional, graças ao fato de cada caminho ser único e ter se desenvolvido em cantos diferentes, sendo essas duas formas extremos de uma “faixa”, onde existiram tradições tendendo mais a um extremo ou a outro.”

Trocando em miúdos, a bruxaria tradicional são tradições hereditárias, passadas de geração para geração, não sendo apenas familiar mas também iniciática. 

Os BTs acreditam que a bruxaria não é um caminho de todos e que deve ser tomado com seriedade e lógica, coisa que muitos grupos não parecem ter de fato. “Não que alguém seja melhor ou pior por isso, mas simplesmente não é um caminho de todos. É estupidez achar que todo mundo vai se dar bem ou se encaixar em algo. Pintura é para todos? Politica? Sociologia? Medicina? Cristianismo? Budismo? pq bruxaria seria?” confidenciou Zagreus. 

A WICCA E SUA POPULARIZAÇÃO


Doreen Valiente tomando um chazinho com a
amigue Patricia Crowther
A Wicca é uma das formas de religião alternativa muito divulgada ultimamente. Lembro que comecei lendo por ela, assim como grande parte dos pagãos de hoje. Não por se encantar com a expressão religiosa feita aqui, mas pela facilidade de material mesmo (apesar de que hoje em dia existem vários livros disponíveis para download inclusive em nossa biblioteca virtual). 

Criada em meados do século passado, a wicca foi uma forma de religião que juntou suas práticas com a bruxaria. Na época que foi criada, as religiões alternativas estavam saindo do escuro (como o satanismo por exemplo), e uma religião pagã e bruxa teve grande mídia e muitas pessoas quiserem se iniciar. É importante salientar aqui que a Wicca Gardneriana e Alexandrina também são inciática: Ou seja, você só se torna gardneriano a partir de outros gardnerianos. 

Com a difusão da Wicca, começaram a surgir grupos que tinham práticas diversas e não ligadas a Wicca Tradicional, alegando serem iniciados pelas avós, mães, tias, primas, etc. Não vou citar nomes porque já tenho tretas demais nessas costas (nem tão) velhas. 

Uma curiosidade interessante é que a maioria dos wiccanos são homossexuais (talvez como uma forma de sair do sistema patriarcal?). Entretanto, isso acaba sendo contraditório quando lembramos que Gardner, o seu fundador, era extremamente homofóbico e não aceitava homossexuais em seus círculos pois não podiam comungar (fazer o papel do sagrado masculino). Gardner, aceita as gay é pra poucas a cara no sol mana. 

Não vou me estender muito no assunto wicca, mas a mensagem principal é: A wicca não é a única forma de bruxaria e muito menos a mais conceituada. A wicca é a forma mais nova de bruxaria e que se baseia em diversas outras tradições de bruxaria que o Gardner participou. 

IGREJAS DE BRUXARIA E ASSOCIAÇÕES BRUXAS


Bom, eu realmente nem sei muito o que fala desse tipo de instituição. As instituições que tratam disso visam legitimar práticas wiccanas e bruxas, para que seja mais seguro e evite casos de estupros, entre outras coisas. 

O problema ai é o seguinte: Vocês lembram do que eu falei do caráter herético da Bruxaria? Tentar validar o clã do outro é ferir o principio da bruxaria, o principio do segredo de cada tradição. Além disso, esse tipo de órgão visa a união de todos os bruxos, o que seria um caos porque todos eles se odeiam e querem se matar na gilete.

É importante ressaltar que a Wicca “mão-direitizou” a bruxaria, que é totalmente centro-esquerda. Portanto, todo tipo de união de tradições e fiscalização não representa as outras formas de bruxaria além da Wicca. 

A BRUXARIA AFRO: HOODOO E MATRIZ AFRICANA


Quanto os negros africanos vieram para o Brasil forçadamente na condição de escravos, não tinham uma religião em comum. As vezes temos uma visão errônea e muitas vezes preconceituosa de globalizar religiões e povos africanos, mas os negros vieram de regiões muito diferentes, e trouxeram sua cultura e religião consigo. Por serem muito próximas, acabavam tendo elementos parecidos (Assim como as divindades da Europa e Asia Menor), mas não eram a mesma.

Essa estratégia de levar várias pessoas de regiões diferentes para um mesmo local foi usada para desestabilizar quem pudesse restar de resistência. Mas especialmente na América latina e no Haiti aconteceram um fenômeno único: Ao invés de um caminho se sobrepor ao outro, os vários se juntaram inclusive com as crenças regentes no local. 

No caso do Brasil foi criado o candomblé (e diversos outros caminhos atualmente) e no Haiti principalmente o Vodu. 

Esses caminhos tiveram uma forte influência da magia pagã de suas terras natais, assim como influência da religião cristã que vigorava na época. Entendo o trabalho com ervas e com os elementos da natureza, as mães de santo continuavam seus trabalhos passando o conhecimento oral através de histórias, filosofia e principalmente a culinária que até hoje é tão reconhecida. 

Assim como as curandeiras e mães de santo, no Haiti existiem os sacerdotes que desenvolviam seus trabalhos. Com o passar do tempo, o Vodu acabou se misturando com a Bruxaria Europeia e o misticismo indígena, se transformando numa vertente magicka conhecida como Hoodoo, sendo este dividido em Conjure (Feitiçaria) e Rotwoork (trabalho herbal). Mas poderiam essas práticas serem chamadas de bruxaria?

Bom, para entender essa questão devemos lembrar que bruxaria foi um termo criado para designar pessoas que não atendiam a ordem religiosa regente, sendo perseguida principalmente na idade média. Essa era uma forma de opressão e apagamento: Se você pega todas as religiões e chama tudo de bruxaria, quer dizer que tudo é um só, tudo é igual, tudo é do diabo.

A partir de meados do século passado, a palavra Bruxaria (com muito sacrifício) foi ressignificada e passou a se tornar algo bom, voltando a reintegrar a cultura popular por meio de livros (As ficções mesmo) e por meio de religiosidades que surgiram na mídia como já falado. 

Portanto, “Bruxaria” é um termo europeu e branco, não aplicável a religiões indígenas e afro. Mesmo tendo qualidades muito próximas da bruxaria (e as vezes idênticas), essas vertentes tem seus próprios nomes e não tem porque utilizar um outro. 

Concluindo...


A Bruxaria como já sabemos, é um oficio e não está ligada a nenhuma pratica religiosa em si e repugnada por diversas culturas pela história, incluindo a romana que acusava os cristãos de praticarem a tal bruxaria. Entretanto, algumas religiões possuem sua ritualística indissociável da bruxaria, como algumas formas de BT que cultivam em sua cultura o oficio da bruxaria. 

No Brasil, temos uma mania terrível de pender a bruxaria e estar a todo tempo querendo mostrar o seu lado bom e a Bruxaria nunca foi vista com bons olhos porque nunca quis. Ela é um caminho das sombras, um caminho marginal e que não deve nada a nenhum outro. Não temos formas de legitimar a tradição de bruxaria do outro. Cabe a cada um o senso do que deve ou não deve ser feito, e tentar impedir isso (por mais bondosa que seja a causa) é uma ofensa a essência da bruxaria, que é a liberdade. 

A única coisa que tenho a dizer aos iniciantes é: Observam bem onde estão se metendo. A duvida é primordial para o crescimento, e duvidar nos da a proteção que precisamos para atingir o nosso objetivo sem sermos barrados por charlatões que pregam uma bruxaria bondosa e saladas místicas que não existem. Sempre que for tentar alguma tradição, procure seus prós e contras. Um pé atrás (Ou na frente, neste caso) nunca fez mal a ninguém.bruxariahipster.com
Livros :
De Camelot ao olimpo. Livro que fala sobre religião comparada da Europa e Asia Menor.

O CAMINHO DAS BRUXAS


“O universo é meu caminho; o amor, a minha lei; a paz, o meu abrigo. A experiência, a minha escola; a dificuldade, o meu estímulo; o obstáculo, a minha lição; a Sabedoria, meu objetivo; a compreensão, minha benção; o equilíbrio, minha atitude; a perfeição, minha meta; a plenitude, meu destino.”


O caminho da Religião Antiga nem sempre é fácil trilhar. Através das raízes de nossa história, vimos a perseguição daqueles que praticam a arte da magia e os mistérios da Deusa e do Deus. Embora a morte não seja o resultado nos dias de hoje, os bruxos e as bruxas ainda são discriminados. Mas se você é capaz de lhe dar com as dificuldades, a vida de uma bruxa (o) é bastante iluminada e repleta de estudo e exploração que nunca terminam. Você deve ser dedicado, mas também deve ter paixão e a chama necessária para viver como uma verdadeira bruxa (o). 


É preciso estar ciente dos sentimentos e dos conflitos internos para ser uma Sacerdotisa, Guardião ou mestre da alma e de suas razões. Antes de aconselhar outros, é preciso que você esteja ciente de seus próprios problemas. Mas importante de tudo, uma bruxa deve estar totalmente fundamentada no mundo real. Nós mergulhamos no mundo espiritual, mas não em detrimento de nossas vidas e responsabilidades diárias. Pelo fato de lidarmos com os reinos mágicos, precisamos sempre saber como fazer para voltarmos para o mundo físico. A magia não é uma fuga da realidade. A magia é capaz de fazer as coisas fluírem mais suavemente na vida e a paz de espírito que uma prática espiritual proporciona pode fazer parecer aos outros que a vida é perfeita, porém nós bruxas (os) somos pessoas que têm as mesmas esperanças, sonhos e problemas que todo mundo. Vemos através dos olhos mágicos de uma bruxa. 


Se o caminho é novo para você, pare e pense porque quer estudar e entrar nesse caminho?. As pessoas tem que refletir sobre suas intenções antes de abrir essa porta. Mas se você intuitivamente se sente atraído por esse caminho, siga sua intuição. Intuição, sua voz interior, essa é a chave. 

Uma bruxa (o) tem autoconsciência, respeito, responsabilidade e amor pela vida. 

Ainda mais importante, uma bruxa (o) no mundo deve praticar alguma forma de introspecção. Pode ser meditação, rituais diários, escritas em periódicos ou caminhando pela natureza. Qualquer coisa serve, desde que acalme a sua mente e lhe permita refletir sobre você mesmo e seus relacionamentos com a criação. 


Se você não é capaz de amar a si mesmo, jamais irá gerar um sentimento de Amor Perfeito para um ritual. Você jamais irá sentir o amor incondicional dado a você pela Deusa e o Deus, e jamais será capaz de retribuir o sentimento. 

Se você tem respeito por si mesmo, poderá ter respeito por outras pessoas e suas visões, mesmo que não concorde com elas. O respeito inclui todas as formas de vida. Parte do respeito por si mesmo e pelo o mundo é responsabilidade. Pensamentos, palavras e ações são veículos para chegar ao poder; poucas pessoas aceitam encarar a responsabilidade por todas as três. Com o desenvolvimento da habilidade mágica, seus pensamentos podem se manifestar tão facilmente quanto suas palavras e ações. Portanto uma bruxa deve ter cuidado ao manifestar pensamentos prejudiciais. Isso não é tão fácil quanto parece, mas é um passo essencial para chegar ao poder. Enquanto seu poder cresce, você tem que assumir total responsabilidade por ele, ou então nem comece a buscá-lo.


O caminho de uma Bruxa (o) leva a qualquer parte da terra sagrada . Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória . A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias das pessoas.

Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe da nossa religião. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.





A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vendermos a terra, tereis de lembrar as pessoas que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede, alimentam as pessoas. Devemos lembrar e ensinar as bruxas e bruxos que os rios são nossos irmãos, e devemos a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensamos a um irmão.


Nós mesmos sabemos que nem todas as pessoas entendem nosso modo de ser. Para eles um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso a Religião Antiga não compreende. Nosso modo de ser é completamente diferente de todos. 




Nas cidades não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. 
O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde as pessoas não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem das águas de um rio , praia etc.. à noite. As bruxas e bruxos prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago etc.., ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.



O ar é precioso para as pessoas, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. As pessoas parecem não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. O ar que nossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.



O caminho da Religião Antiga ensina que o chão onde pisamos simboliza as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, aprendemos que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Aprendemos o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando os pessoas cospem sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem ; O homem é que pertence à terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas . Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.

As pessoas não tecem a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio. 

O caminho de uma Bruxa (o) é o respeito pela terra, lealdade e fidelidade aos seus, o estudo etc...



Por tudo isto eu escrevo novamente e quantas vezes for preciso: 

“O universo é meu caminho; o amor, a minha lei; a paz, o meu abrigo. A experiência, a minha escola; a dificuldade, o meu estímulo; o obstáculo, a minha lição; a Sabedoria, meu objetivo; a compreensão, minha benção; o equilíbrio, minha atitude; a perfeição, minha meta; a plenitude, meu destino.” Este é o caminhar de uma Bruxa (o)3fasesdalua.com